Há vinte e cinco anos era fundada, votada e empossada a
primeira diretoria desta AFINCA. Sua fundação surgiu em
contexto histórico, cravada no retorno à democracia no
Brasil, em 1985. Essa democracia renascida não foi dada, mas
conquistada graças à persistência da população organizada,
que redescobriu a necessidade de comandar seu próprio
destino, fiscalizando, votando e sendo votada, e assim
conduzir sua própria representação. A AFINCA surge neste
momento em que uma parcela dos funcionários do INCA se
imbuíram deste propósito: influenciar nas decisões centrais
visando a expansão da qualidade de vida e de trabalho, dos
que passam grande parte de seu tempo zelando pela população
com câncer. A esses, funcionários do INCA e população
dedicamos nossa gestão.
De lá para cá, ações tornaram-se vitoriosas e
parcerias empreendidas por esta associação na defesa desses
princípios, cabendo neste momento um balance te de seus 20
anos de existência.
A AFINCA esteve presente na valorização dos
funcionários da extinta Campanha Nacional de Combate ao
Câncer, nos anos 80, sem a qual o INCA não teria assumido,
algum tempo depois, através da Lei Orgânica da Saúde que
criou o SUS, o papel de coordenador das políticas de câncer
no Brasil.
A AFINCA também esteve à frente no enquadramento
desses funcionários com a extinção das campanhas e a
manutenção de suas atividades, sem a qual certamente haveria
uma brusca queda das atividades do INCA. Também negociou a
inclusão do INCA na Lei 8691, que criou o Plano de Carreiras
para a área de Ciência e Tecnologia, mobilizando seus
pesquisadores, o que hoje permite a esta instituição
desenvolver-se como entidade modelo, propiciando aos seus
servidores um plano de cargos de destaque dentro do serviço
público.
Destacamos também a luta pelo reconhecimento dos
servidores dos programas CEMEQ, PIMAG, PITAC, TRANSPLANTE
RENAL, etc, atendidos pela verba da CNCC, através do
convênio INAMPS/MS, dentro dos quadros do INCA. Também
participamos das reuniões em que foram assimilados pelo INCA
os servidores pertencentes aos Hospitais de Oncologia e
Luiza Gomes de Lemos, hoje, unidades II e III.
A Fundação Ary Frauzino também contou em seus
primórdios com sugestões da AFINCA em sua criação. Nesse
tempo, nunca é demais lembrar, os servidores com problemas
de saúde eram atendidos improvisadamente na própria
instituição, ou no consultório de seus médicos, não contando
com um plano de saúde compatível com seus vencimentos, o que
só veio a acorrer com a negociação perante a PATRONAL, hoje
GEAP. A AFINCA também estava lá. Sem comentar as inúmeras
vezes que recorremos ao judiciário na garantia da revisão
dos planos econômicos que sempre dilaceravam nosso poder de
compra. Como exemplo, os planos Bresser, Collor, URV, e 28
por cento, a qual tivemos vitórias e revezes, mas sempre com
a decisão pontual de monitorar nossos direitos no momento
oportuno.
Nessa história de pioneirismo e vanguarda, abre-se
aqui um capitulo triste. O posicionamento contrário da
AFINCA durante o governo FHC, em fins dos anos 90, quando o
INCA foi levado à aventura privatizante, através de sua
transformação em Organização Social. A Sra. Arli Pereira,
então presidente da AFINCA naquele período, debaixo de
pressões e retaliações por parte do corpo gerencial,
inclusive com reiteradas ameaças visando a retomada da
minúscula sala que a AFINCA utiliza nas dependências do
INCA, veio a falecer no exercício do cargo. A busca da
excelência organizacional a qualquer custo deixou atrás de
si um retrato de intolerância às opiniões e posições
divergentes. Que esta perda simbolize o fim de qualquer tipo
de intransigência, e que o exercício da convivência resulte
em formação de consensos, integrando com uma agenda futura
os atores sociais envolvidos: população, servidores e
gestão.
Enfim, a AFINCA retomou sua vocação de
legitimidade perante o corpo Funcional, e bem recentemente
legou entre suas ações, a luta pela isonomia dos anistiados,
acréscimo de gratificação que consolidou um aumento real dos
vencimentos após 10 anos sem reajuste, além de adquirir como
patrimônio permanente uma sala para apoio administrativo,
saindo do doloroso aluguel, fato raro entre associações
classistas.
A imagem real dos compromissos e ações
desenvolvidas pela AFINCA nesses 25 anos, ficando neste
momento o compromisso público de mantermo-nos herdeiros
desta história.
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